A Fortaleze de São José da Ponta Grossa é um dos fortes que fazem parte da história e do patrimônio cultural de Floripa. Ela já foi fortaleza militar, tornou-se ruína, passou por vários processos de restauração, foi palco de show de rock, de desfile de moda e atualmente é museu. Mais que isso ela é símbolo do colonialismo português na ilha. É também um local para passear, ficar em contato com a natureza, com o silêncio e consigo mesmo, além de aprender sobre a história e cultura de Florianópolis.
A Fortaleze de São José da Ponta Grossa começou a ser construída em 1740 e demorou cerca de 4 anos até ser concluída. Ela representava a ocupação portuguesa na ilha e a proteção de que as terras não seriam invadidas por outros povos. Fato curioso contado é que quando da invasão espanhola na ilha (que se deu por Canasvieiras em meados de 1777) os militares que ali se encontravam fugiram. Abandonaram o posto porque, portugueses como eram, estavam olhando para o mar e o ataque veio por terra e os pegou de surpresa.
Assim o forte ficou sob domínio dos espanhóis. Outra "pérola" muito contada é que nossos canhões não funcionavam. O forte contava com 31 peças de artilharia, porém alguns canhões já eram antigos ao chegarem aqui.
Sabe-se pela história que Floripa só foi devolvida aos portugueses em 1778 com o tratado de Santo Ildelfonso.
Já na história recente (década de 30) o forte fui declarado "ruína" pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Depois foi restaurado, Atualmente é museu.
Na década de 80 foi declarado sitio arqueológico e entre 89 e 92 foi restaurado pela equipe do museu Universitário da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Tenho orgulho de dizer que minha mãe, a historiadora e arqueóloga Isabel Cristina Knoll, foi uma das que participou deste projeto, e eu pude visitar a fortaleza desde pequena. Mais tarde, como modelo, cheguei a desfilar lá na época de ouro do local que já foi até palco de show dos Titãs!
O museu conta (dentre outras coisas) com: uma capela, diversas maquetes da própria fortaleza e peças que foram descobertas ali durante as escavações.
Pode-se também encontrar rendeiras apresentando um pouco desta cultura nossa passada de mãe pra filha através deste lucrativo artesanato. Assim, a fortaleza é um marco no história de Floripa e mais que um museu é um símbolo da colonização portuguesa na Ilha.
Além das atrações do museu, o forte é um belo local para um passeio, para ficar sem ter hora de ir embora, para adentrar num outro mundo: um mundo antigo em que o tempo não corre tão rápido quanto hoje.
Lá é possível sentar numa das cadeiras de palha e observar a vista, o céu azul, o vento batendo nas árvores e o mar calmo por onde os portugueses temiam que chegassem invasores.
É interessante ficar em silêncio e deixar o tempo passar, imaginando a ironia que foi os militares ficarem com os olhos fixos no mar enquanto os invasores o renderam por terra. O pior ataque é aquele que vem pelas costas, quando a gente menos espera. Assim o forte, que antes era um local tão soberbo e cheio de preocupações de guerra, hoje pode ser um local para meditar e encontrar a paz interior e a sabedoria do espírito.
Localização: SC 401. Ou desembarque no trapiche de Jurerê.
Texto: Alessandra Knoll Pereira
Fotos: Gabriel Pereira Knoll
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